Home » Artigos » blog-luciana-bien » Psicologia e câncer de mama
Psicologia e câncer de mama
O câncer de mama é mundialmente considerado o mais comum dentre os cânceres femininos. Atualmente, o panorama da doença oncológica tem sofrido mudanças significativas devido aos avanços da medicina no desenvolvimento das cirurgias, radioterapia, quimioterapia, hormonioterapia, imunoterapia e outras possibilidades de tratamento, além das contribuições da psiquiatria e da psicologia, por meio de estudos sobre fatores psicossociais envolvidos na gênese e prevenção da doença, e na reabilitação e qualidade de vida do paciente oncológico.
Apesar dos avanços científicos, as representações sociais envolvidas no diagnóstico de um câncer ainda assustam e amedrontam grande parte da população. Muitas mulheres ao receberem o diagnóstico de câncer de mama, associam-no a sentimentos de punição, enfatizando os aspectos negativos da doença.
A mama é o órgão do corpo feminino associado ao prazer e à vida, símbolo da sexualidade e da maternidade. Simboliza a feminilidade, é tida como um objeto central de desejo e satisfação. Adquirir uma doença na mama interfere no processo de simbolização da mulher enquanto ser feminino, em relação à autoestima, à autoimagem e à sexualidade.
O enfrentamento da doença e as reações emocionais envolvidas dependerão de vários fatores, dentre eles a estrutura emocional de cada mulher anterior ao diagnóstico, sua história de vida, o estágio do ciclo de vida atual, a situação sócio-econômica, os vínculos familiares e sociais e a disponibilidade de apoio dos mesmos.
Os sentimentos de medo, tristeza, angústia e revolta são esperados logo após o diagnóstico. O choque inicial pode ou não desencadear o período de negação, no qual ocorre desconfiança sobre o diagnóstico na esperança de erro médico ou no resultado de exames. Posteriormente surgem as preocupações em relação ao tamanho e local do tumor, os tipos de tratamento e efeitos colaterais, e a cada nova etapa os sentimentos ambivalentes como esperança x desesperança, alegria x tristeza, coragem x derrota, entre outros, são esperados.
Os membros familiares também ficam fragilizados e necessitam de ajuda para lidar e enfrentar a nova realidade. Geralmente a presença de sentimentos como medo, insegurança, angústia, tristeza associados à necessidade de apoiarem e serem fortes é evidenciada em seus comportamentos. Algumas reações como ignorar o assunto ou não conseguir acompanhar a esposa ou a mãe durante o tratamento, podem sinalizar a dificuldade daquela pessoa em lidar com esses sentimentos.
A doença provoca alterações fisiológicas e emocionais e cada mulher, dentro de sua vivência individual, enfrentará emocionalmente este processo, sendo fundamental o apoio dos familiares, amigos, grupo social e equipe de saúde envolvida.
Estudos, pesquisas e grupos de apoio como as Amigas do Peito demonstram a possibilidade de mulheres enfrentarem e sobreviverem emocionalmente à doença. A capacidade do ser humano de superação é fonte inesgotável, acredite na sua capacidade de superar os obstáculos da vida.
Dra. Luciana Maria Biem Neuber
Doutora em Ciências da Saúde
Psicóloga Clínica
Terapeuta de
Casais e Famílias
Tweet