Grupo Amigas do Peito contra o Câncer de Mama - Bauru/SP - Informações sobre o tratamento e combate ao Câncer de Mama.

Cirurgia

Cirurgia é o tratamento mais freqüente para o câncer de mama. Há vários tipos de cirurgia. O médico deve explicar cada uma delas em detalhes, discutir e comparar os benefícios e riscos de cada tipo, além de descrever como cada uma afetará a aparência estética da paciente.

A cirurgia para retirada total da mama é denominada mastectomia. A reconstrução da mama é uma opção freqüente e pode ser realizada durante a mastectomia, ou numa cirurgia posterior, dependendo do caso.

Na mastectomia total (simples), o cirurgião retira toda a mama e os linfonodos axilares.

Na mastectomia radical modificada, o cirurgião retira a mama inteira, os linfonodos axilares e freqüentemente o revestimento (fáscia) dos músculos do tórax. O músculo peitoral menor também pode ser retirado.

Na mastectomia radical (também chamada de mastectomia radical de Halsted), o cirurgião retira a mama, os músculos do tórax (músculo peitoral maior e menor), além de todos os linfonodos axilares. Por muitos anos, esta operação foi considerada modelo para as mulheres com câncer de mama, mas atualmente sua utilização é rara e está restrita a casos muito avançados nos quais o câncer de mama já invadiu a musculatura do tórax.

Na mastectomia subcutânea, o tecido mamário é removido, mas o mamilo é preservado. Essa opção é menos freqüente pois deixa mais tecido onde o câncer pode voltar a se desenvolver em relação a mastectomia total.

A cirurgia que retira apenas o câncer, o tecido ao redor e que preserva a mama é chamada cirurgia conservadora (entre elas destaca-se a quadrantectomia). Todas as cirurgias conservadoras  devem  ser  acompanhadas de radioterapia com o intuito de promover a destruição de células cancerosas que podem restar em torno do tecido retirado.

Na maioria dos casos o cirurgião também retira os linfonodos localizados na axila para avaliar se as células cancerosas invadiram o sistema linfático. Atualmente, existe uma técnica alternativa e já bastante utilizada em que, em vez de retirar todos os gânglios da axila (técnica denominada de esvaziamento axilar), o cirurgião retira apenas o primeiro gânglio, aquele que recebe todos os vasos linfáticos da mama. Este gânglio é chamado de "linfonodo sentinela" e é exaustivamente examinado pelo patologista na pesquisa de células cancerosas. Caso não haja células tumorais no gânglio sentinela, não há necessidade da retirada de todos os outros gânglios. Caso haja células tumorais neste gânglio, o cirurgião retira então os demais. Os efeitos colaterais e alterações pós-cirúrgicas são muito menores com esta técnica.

A reconstrução da mama é uma opção cada vez mais usada apos a mastectomia ou cirurgia conservadora. As mulheres que considerarem a reconstrução devem discutir esta opção com o cirurgião plástico antes do procedimento cirúrgico.

Aqui estão algumas questões que podem ser abordadas antes da cirurgia:

  • Quais tipos de cirurgia podem ser considerados no meu caso? Qual você recomendaria?
  • A cirurgia conservadora da mama acompanhada por radioterapia seria uma opção?
  • Preciso retirar os linfonodos? Quais? Por quê?
  • No meu caso há indicação de realização de biópsia do linfonodo sentinela?
  • Como me sentirei apos a cirurgia?
  • Onde serão as cicatrizes? Como elas serão?
  • Caso eu decida realizar uma cirurgia plástica de reconstrução da mama, como e quando poderá ser feita?
  • Você pode sugerir um cirurgião plástico?
  • Terei que fazer exercícios especiais ou fisioterapia?
  • Quando poderei retornar as minhas atividades normais?

A cirurgia causa dor e uma maior sensibilidade no local da operação. Dessa forma, as mulheres precisam conversar com seu médico sobre como controlar a dor  de maneira adequada. Qualquer tipo de cirurgia também implica em risco de infecção, dificuldade de cicatrização, sangramentos ou reação ao anestésico usado na cirurgia. As mulheres que experimentam qualquer um desses problemas devem informar ao médico ou enfermeira imediatamente.

A retirada de uma mama pode causar desvio do peso da mulher com conseqüente desbalanço - especialmente se a mulher tem mamas grandes  Este desbalanço pode causar desconfortos no pescoço e na região dorsal.

A pele também pode estar mais tensa na região da mama, e os músculos do braço e do ombro podem se apresentar mais enrijecidos. Após uma mastectomia, algumas mulheres apresentam perda permanente de força desses músculos, entretanto, para a maioria das mulheres, a redução na força e na limitação dos movimentos é transitória. O médico, enfermeira ou fisioterapeuta podem recomendar exercícios para ajudar a readquirir o movimento e a força de seu braço ou ombro.

Como os nervos podem ser lesados ou cortados durante a cirurgia, podem ocorrer adormecimento e formigamento no tórax, região da axila, ombro e braço. Geralmente, essas sensações desaparecem dentro de umas poucas semanas ou meses, mas algumas pacientes podem apresentar dormência permanente.

A retirada dos linfonodos axilares diminui o fluxo de linfa. Em alguns casos, este fluido (a linfa) se acumula no braço e mão, causando  edema (linfedema). A proteção dessas regiões é muito importante, e as pacientes devem conhecer a melhor forma de manipular cortes, arranhões, picadas de insetos ou outras lesões. Devem também procurar o médico, caso haja qualquer suspeita de infecção nessas regiões.